Brasil reforça vigilância contra o sarampo diante do aumento de viagens internacionais
Vacina
Brasil reforça vigilância contra o sarampo diante do aumento de viagens internacionais
Após recuperar a certificação de país livre do sarampo, o Brasil voltou a acender o sinal de alerta para o risco de reintrodução da doença, impulsionado principalmente pelo aumento do fluxo de viajantes na temporada 2025/2026. Autoridades de saúde intensificaram ações de vigilância epidemiológica e campanhas de imunização, com atenção especial aos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, considerados estratégicos devido ao volume de deslocamentos nacionais e internacionais.
A principal ferramenta de prevenção segue sendo a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Especialistas reforçam que a imunização deve ser feita, preferencialmente, com pelo menos 15 dias de antecedência a viagens ou à participação em grandes eventos, período necessário para que o organismo desenvolva resposta imunológica adequada.
Em São Paulo, o alerta ganhou força com a chegada da temporada de cruzeiros marítimos. O intenso fluxo de passageiros no litoral paulista, aliado à circulação internacional do vírus, elevou o nível de atenção da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Portos, aeroportos e unidades de saúde passaram a operar com vigilância reforçada para identificação precoce de casos suspeitos. Em 2025, o país registrou 38 casos importados de sarampo, sendo dois confirmados em território paulista, o que levou à adoção de protocolos mais rigorosos de resposta rápida.
No Mato Grosso do Sul, a estratégia adotada foi ampliar a cobertura vacinal em todo o estado. A campanha “MS Vacina Mais: Sarampo” mobilizou os 79 municípios e incluiu a aplicação da chamada “dose zero”, destinada a crianças de 6 a 11 meses, como medida adicional de proteção. Os dados mais recentes indicam cobertura de 97,16% para a primeira dose da tríplice viral e 83,65% para a segunda. No mesmo período, foram investigados 105 casos suspeitos, todos descartados, sem confirmação da doença no estado.
Já no Paraná, a Secretaria da Saúde do Paraná mantém monitoramento contínuo, mesmo sem registro de transmissão local. O foco das ações está na orientação de profissionais de saúde e viajantes, especialmente durante feriados prolongados, quando há maior circulação de pessoas entre estados e países. O esquema vacinal recomendado segue os critérios nacionais: duas doses para pessoas até 29 anos, uma dose para adultos entre 30 e 59 anos e duas doses para trabalhadores da saúde, independentemente da idade.
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa, transmitida por via aérea, por meio da fala, tosse, espirro ou até da respiração. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a até 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas. Os sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite, com risco maior de complicações em crianças pequenas.
De acordo com o Ministério da Saúde, apesar dos avanços obtidos com a vacinação em massa, o sarampo continua sendo um desafio para a saúde pública global. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, e medidas complementares, como higiene das mãos e evitar contato com pessoas doentes, seguem sendo fundamentais para impedir a reintrodução do vírus no país.